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Friday, July 14, 2006


O Espetaculo acabou . A ultima fala
" - Esquece..."

Vivi demais esta ambição que nunca passou de um sonho. Não faz mal , agora vou deixa-lo.

Uma Vénia como no fim de todos os Teatros ( não sei faze-las bem. Pode ser que um dia saiba.)

Obrigado aos que me apoiaram.
 
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Monday, July 10, 2006



- Sabes , gostava de guardar esta noite.

- Para sempre?

- Não , até vir outra melhor.

- Podes sempre mete-la no meu bolso?

- Para quê?

- Não a queres guardar?

- Eu guardo nos meus.

- Mas os teus estão rotos.

- Pois estão…

( Voltei de mansinho...)

 
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Tuesday, June 20, 2006



Sorria ao ouvir o entardecer.
Era feliz assim...
 
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Monday, June 19, 2006




Rancorosos em subtilezas

Noites estreladas caídas sobre a calçada nua

Luzes e infra estruturas mergulhadas na teia de movimento constante

Mergulhos estelares pelo tempo remoto

Beijos loucos encantos na podridão da rua

Pessoas que passam e que nos ignoram

Ignorar o diferente da rotina como se não existisse

Expressões canceladas pela fronteira do coração.

Gente sem rosto que esmaga paginas de livros espalhados nas janelas

Janelas abertas há espera que a musica flutue em mim

Amor , anotação de mundos paralelos.

Poesia sem prosa de amor.

Luzes que cegam os olhos dos bailarinos que espalham o silêncio.

As pessoas deitam-se pela calçada , são elas o mundo e a própria calçada.

Arrasto a longa mala de viagem pelas suas costas frias

Sim , partirei , é certo.

O Comboio de palavras parte na busca do infinito.

 
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Saturday, June 17, 2006



Penteou os seus cabelos pela ultima vez. Caminhou até a janela em passos largos. O dia estava triste , mais um dia de Verão que preferia ser de Inverno. Lá fora , uma rapariga segurava um chapeu de chuva. Mais uma manhã comecaria.



Desculpem a ausência...
 
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Monday, May 22, 2006



Deixou-se cair sobre a sua cama fria. Os seus cabelos loiros espalharam-se pela almofada. Sentiu um arrepio dentro de si , voltara a ter aquela sensação de nervosismo. Levantou-se rapidamente e correu em direcção á casa da banho. Sentiu a agonia escapar-lhe num choro revoltante.Deixou-se cair sobre o chão da casa de banho. Olhou-se no espelho , ainda despenteada. As suas feições finas desapareceram há muito , estava gorda. "Uma baleia nojenta" - repetiu para si. Ja deixara de comer há três longos meses , continuava gorda , ao contrário do que as pessoas lhe diziam. Virou a cara , não queria pensar que era assim , uma aberração da natureza. Alguem bateu á porta.
- Mónica , estas a vomitar? Pára com isso querida , tu precisas de ajuda!
O choro cortava-lhe a respiração ofegante , soluçava.
- Deixa-me em paz! - gritou desesperadamente.
Procurou rápidamente por entre as gavetas algo que a pudesse socorrer , ignorando os gritos da mãe. Retirou o cabelo do rosto e sorriu ao rever aquele objecto , uma tesoura. Fechou os olhos força , e sentiu aquele objecto a destruir-lhe o seu bem mais precioso , permaneceu assim durante vários minutos. Reabriu os olhos. O chão estava coberto pelos seus cabelos loiros. Soltou um grito estridente. Deixou-se cair novamente no chão , a respiração faltava-lhe , a sua voz sumira de vez. Colocou as mãos no seu rosto , queria chorar sem que ninguem a visse , nunca mais ninguem a poderia ver. Levantou-se num acto de fúria e partiu o espelho com os prórpios punhos . Os seus bracços ardiam de dor , sentia o sangue a correr para o chão. Repetia frases sem nexo , tentava ignorar a razão que mudara a sua vida.
- Anorética , uma merda!
 
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Sunday, May 21, 2006



Despiu rapidamente as suas jeans e a sua velha T-shirt. O quarto permanecia quase que pintado a carvão, encontrava-se numa escuridão tardia. As persianas completamente fechadas , deixavam entrar um pouco de sol sobre o seu rosto. Sentiu o um arrepio ao deitar-se sobre a cama fria , a época dos cobertores já passara , agora fora obrigado a ceder a cama apenas aos lençóis. Permaneceu a olhar para o tecto apagado , sem vestígios de coisa alguma. Retirou cuidadosamente os cabelos negros do seu rosto. Fechou os olhos por instantes , deixou-se embalar pela calma instalada naquele pequeno quarto. O ar tornara-se sufocante , o calor humano com o calor artificial. Os livros de Matemática encontravam-se caídos no chão , não havia sol que lhes chegasse, caminhavam certamente para o esquecimento. Noutros tempos , bem que aquele quarto tivera o gosto da infância , tudo cheio de desenhos coloridos e as colchas de cores quentes com personagens de banda desenhada.Com a idade o quarto perdera o encanto , tal como ele. As paredes estavam agora rodeadas por fotos a preto e branco , não havia tapetes. Na verdade preferia sentir o arrepio na espinha com o contacto do frio vindo do chão. Abrira novamente os seus olhos cinzentos , olhos tristes bem dizia a Avó Graça. Desviou o olhar da parede para a sua mesa de cabeceira. Nela instalara-se um copo de água , um lápis velho , um livro que teria de apresentar para a aula de português. Abriu a pequena gaveta , retirou de lá uma pequena moldura de madeira. Fixou o olhar na fotografia que lá se encontrava. Uma rapariga de cabelos compridos castanhos , de olhos enormes sorria para a foto. Pegou na moldura com toda a forca que tinha , atirou-a contra a parede. Nos seus olhos cinzentos apareciam pela primeira vez desde a sua infância , lágrimas. Levantou-se da cama , olhou-se no espelho. As suas feições de infantis e o seu cabelo loiro desapareceram , as pessoas já não se metiam com ele por parecer como as pessoas diziam um “boneco”. Já não era portador de olhos alegres e de sorriso no rosto , mesmo quando se sentia triste , agora já não havia chocolates que o animassem.Agora tinha16 anos, tornara-se num homem de feições largas e brancas, de olhos cinzentos e enormes e de cabelo escuro como breu.
- Onde é que foste , meu? - perguntou para si mesmo , enquanto deixava-se cair num choro infantil. Não conseguia respirar de tanta dor , a tristeza tomara conta do seu consciente. Agarrou num velho candeeiro e atirou-o contra o espelho. O espelho partiu-se em mil pedaços, deixou-se cair sobre o chão. Os seus joelhos começaram a sangrar devido aos vidros. Olhava por entre as suas lágrimas , a sua expressão de dor reflectida pelos mil pedaços. Lá fora o Sol deu lugar a um forte aguaceiro. O som do seu choro misturou-se com o som vago da chuva , era o fim de mais uma tarde.

Foto de : Paulo Madeira

PS:Não gostei muito da foto , mas não arranjei melhor , peço desculpa.
Abraços.
 
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